É jogando que se aprende

Neste espaço de reflexões pessoais sobre como se deu a construção e condução do jogo O retorno de Cân, quero começar a refletir sobre a expectativa que a equipe Hlab tinha ao nos engajarmos na construção do projeto. Nós, em trabalho remoto, tendo contato com jovens do ensino médio e observando de longe todos aquelas figuras começarem a ficar sem fôlego e perderem o estímulo de continuar nas atividades escolares. Embarcamos de cabeça com a vontade quase homérica de modificar a realidade de alguma forma. Sentiamo-nos como parte daquele drama escolar por uma espécie de empatia gerada por nossa trajetória de trabalho nas escolas. Motivação da equipe 100%.

Pensando sobre nossa trajetória nos últimos meses posso dizer que acertamos em cheio na elaboração da proposta de um jogo que começou na plataforma que os professores já utilizavam, em uma tentativa de nos inserirmos na dinâmica da forma mais “natural” possível. Construímos um produto pedagógico com identidade própria e uma lógica de funcionamento nova para os padrões do fazer docente. Mesmo que interrompendo esta atividade, a evolução que o protótipo teve é um ponto que deve estar em evidência. Todas as reorientações que foram feitas para tornar o game aplicável foram fruto de uma leitura muito cirúrgica da realidade pedagógica. 

Talvez fizemos o jogo certo no momento errado. A forma como nós nos aproximamos dos estudantes foi sempre mediada primeiramente pelos diálogos com o corpo docente e isso fez com que em nossa abordagem pesasse sempre a opinião dos profissionais e ficasse em segundo plano o feedback dos estudantes. Essa nossa posição de ouvir os atores pedagógicos sem virar os postos da hierarquia pode ter nos afastado da conexão com os estudantes e nos posicionado como uma extensão do que os docentes faziam. Quando percebemos isto, já não tínhamos como redirecionar em tempo.

Com isso aprendemos a confiar em nossas leituras da realidade e propor nossas ideias, mesmo que ousadas, respeitando os limites do funcionamento das escola, mas sem ter receio de nos sobrepormos a quem detém o capital político na instituição. Voltaremos com esta atividade em um futuro não muito longínquo. Não vejo como uma derrota do espectro da morgação, pois é jogando que se aprende.

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