Kommunoníque-se

A nossa aventura não termina por aqui.

 

 Kommuninía representa a gema da comunicação e o processo de se comunicar ocorre de várias formas: entre pessoas, entre sua individualidade e o mundo e de você para si mesmx. Quando a gente se comunica, interferimos, intervimos, assumimos nosso lugar de fala e reverenciamos nossa voz, nosso pensamento, nosso ponto de vista, nosso posicionamento. E não importa se estamos juntos ou separados fisicamente, a comunicação nos aproxima, nos faz presentes.  

 

Desde o início, já nas primeiras discussões sobre a possibilidade do multiHlab fazer mais uma parceria com a EREM Professor Cândido Duarte em uma proposta que já imaginávamos que seria desafiadora pelo potencial inovador. Inspirado nas gincanas e jogos internos escolares, o objetivo era desenvolver um projeto de gamificação na educação  que inspirasse os alunos, ajudasse a não perderem o interesse nas aulas remotas e a mantê-los engajados, com a mente e o corpo sãos nesses tempos incertos, instáveis, que estão exigindo cada vez mais de nós, aliando ficção científica, memes, dentre outras características de uma abordagem voltada para o público jovem. Eu já estava muito animada e até agora, mesmo depois de tantas reviravoltas, não vejo a hora do projeto retomar dessa pausa repentina que se fez necessária. 

 

Me animei tanto que virei noites para reunir, junto com a equipe multiHlab, vários insights para construir a trama mais incrível que já pude desenvolver!  Foi divertido demais criar o universo do Retorno de Cân e ir imaginando como os estudantes iriam interagir com a  trama, personagens; como iriam reagir aos objetivos de cada fase. É incrível agora parar, olhar para trás e perceber como a produção gráfica das imagens dos personagens e dos desafios foi minuciosa e tão prazerosa de desenvolver, como a adaptação  dos primeiros desafios à narrativa foi trabalhosa e exigiu reuniões longas da equipe e muita dedicação. Aquele frio na barriga depois das primeiras interações de apresentação do projeto aos estudantes. Por fim, preciso enaltecer aqui nossa ousadia com tudo que foi produzido, nossas intenções, nossa energia e criatividade além das performances ao vivo de imersão com os educandos (foram momentos que eu amei demais participar e fiquei feliz por termos proporcionado isso no projeto).Todo esse meu relato é só para repassar um pouco do carinho e do orgulho que tenho por ter participado da produção e realização desse projeto com a equipe multiHlab. Trabalhar nele se traduz muito com minhas definições de “trabalho dos sonhos” que as pessoas falam por aí: quando você ama o que faz, trabalhar é sinônimo de ser feliz. Falando isso, fazendo um desabafo particular meu, o projeto me ajudou muito a revisar minha essência positiva, canalizar minha ansiedade, minhas incertezas sobre o futuro para algo que me deixou plenamente feliz em desenvolver, criar, produzir e participar. Como comunicadora (alá a que só quer ser a guardiã oficial de Kommunonía rsrsrsrsrs), atuar em educação vem sendo uma descoberta e uma experiência profissional maravilhosa, enriquecedora e muito gratificante. 

 

Deixo aqui os meus agradecimentos a toda a equipe pedagógica que participou, que se animou junto, que se fantasiou, que escreveu desafios contextualizando a narrativa do Retorno de Cân e aos alunos que participaram, que dedicaram um tempo para responder aos desafios, que se expressaram, que falaram, que interagiram e que estavam presentes nos encontros.  

 

Infelizmente precisamos dar uma pausa. Para além da sensação boa, fica muito aprendizado e algumas (muitas) reflexões. Acho que, no início, houve uma falha de comunicação entre a equipe do multiHlab e a comunidade escolar – não estávamos realmente cientes do número de atividades que os estudantes estavam precisando realizar e isso foi uma consequência da falta de uma aproximação/diálogo com eles desde o início. Focamos muito em organizar tudo com os professores para uma proposta que, na verdade, exigia muito da interação deles logo de cara, já que a ideia inicial era a construção do enredo com eles e, por mais que o projeto do jeito que foi ao ar tenha dado essa oportunidade, a falta de uma abordagem mais direcionada para um contato mais constante com os estudantes teria resultado em maiores desdobramentos. No final das contas  concluímos que caímos de paraquedas em uma situação que já estava pesada para os alunos, apresentamos uma ideia de diversão/ engajamento, que na verdade só trouxe mais trabalho para os alunos e professores, frustrando expectativas. 

 

Senti a necessidade de pararmos para quebrar a cabeça só para desenvolvermos estratégias voltadas para o seguinte objetivo: que mais pessoas ligassem o microfone e a câmera para falar. Sentimos na pele o que os professores estão passando com o regime remoto de aulas e é difícil pra caramba! Por outro lado, penso em como eu mesma lido com esses dois dispositivos e como também preciso melhorar minha interação online. Fica cada vez mais claro que precisamos mesmo nos adaptar às novas tecnologias e formas de se comunicar nesses novos tempos. Dentro da nossa proposta, as interações com os vilões visaram convencer os educandos a participarem e se expressarem. Numa retomada, essa forma de interação será trabalhada com bastante atenção.

 

Ao longo das últimas tentativas que fizemos, a falta de comunicação citada anteriormente ficou cada vez mais clara. Na abordagem mais individual com os alunos, tentamos entrar nos grupos e já não éramos mais tão bem vistos por muitos. Isso pesou para a equipe. Ficamos tristes e desestimulados num efeito completamente reverso ao que estávamos propondo na nossa própria criação( o que não nos impediria de continuar, muito pelo contrário, a vontade de acertar e de chegar nos objetivos ainda estão de pé).  

 

Por fim, sempre gosto de reconhecer e enaltecer o que foi bom e o que dá para fazer de bom com cada experiência. Me solidarizo com todos os perrengues que tanto a equipe, quanto os estudantes passaram nesses meses e independente da narrativa do Retorno de Cân (que pra mim  é icônica, ainda vou sair por aí vestindo camisa estampada com meme do Morgon, com chaveiro de Kommunonía na mochila e tudo mais kkk) o importante é cuidar da saúde mental, que pra mim é o mesmo que se cuidar. Sempre tire um tempo para fazer o que você ama, o que te faz mais feliz; tenha contato com a natureza mesmo que seja só por alguns segundos e perceba que tudo natural ao seu redor pode te ajudar de um jeito ou de outro: abrace uma árvore por exemplo, faço isso toda vez e acredite, é bom demais, tire um dia para visitar o mar: e quando eu falo mar, não é só fazer aquele roteiro básico de beber, comer, escutar seu sonzinho, torrando no sol – é sentir aquela água de sal levar embora todas as angústias e tristezas, deixar a alma ser lavada e revigorada. Permita-se sorrir, gargalhar até a barriga doer por qualquer besteira que seja. Pela manhãzinha ou à tardinha, sinta o sol afastar um pouco as energias que estão te fazendo mal, não é a toa que ele é o centro do sistema e um dos maiores responsáveis pela vida no planeta. Chore quando precisar, a dor transborda quando é necessário mesmo e quando seca, dá espaço para novas sensações. Sentir dor também nos mostra que estamos vivos.   

E nessa aventura de viver vamos levando um dia de cada vez. O que posso fazer hoje? O que eu quero fazer agora? Sempre reinventando e ressignificando tudo que for possível em nós, cultivando nossa resiliência como a própria natureza, dentro do tempo de cada universo pessoal.

 PS: Lembre-se de se fazer presente. Kommunoníque-se.

 

Abraço fraterno e até a próxima!

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>