O DESPERTAR DA FORÇA

Este projeto de gamificação, desde o seu princípio, foi pensado no contexto de isolamento social como forma de responder às demandas geradas pela pandemia. Neste sentido, desenvolvemos a proposta prevendo 3 fases, finalizando o jogo em 30 de novembro, pois consideramos uma provável manutenção das atividades remotas na rede pública de ensino de Pernambuco até dezembro deste ano. Acreditamos que o retorno às atividades presenciais deveria estar condicionada a vacinação da população. 

Também durante o mês de agosto, o Governo do Estado de Pernambuco passou a considerar a possibilidade da volta de atividades presenciais na educação ainda no ano de 2020. Entre agosto e setembro, a Secretaria Estadual de Educação e Esportes (SEE/PE) elaborou debates internos e planos para que essa volta pudesse ocorrer o mais breve possível. O protocolo de convivência do estado com o vírus já estabelecia que a  retomada das aulas presenciais do ensino superior deveria acontecer no dia 8 de setembro, com um esquema de 4 etapas para que o processo ocorresse de maneira gradual. Mesmo com a liberação, as Universidades pernambucanas e Institutos Federais decidiram por não retomar presencialmente. 

O passo seguinte do Governo de Pernambuco foi organizar a volta às aulas do nível básico de ensino. No dia 21 de setembro, em entrevista coletiva, o Secretário de Educação Fred Amâncio anunciou as datas para o retorno das atividades presenciais na escolas de ensino médio. Foi estabelecido que o começo se daria com os estudantes do 3º ano do ensino médio, na data de 06 de outubro, seguidos pelos estudantes do 2º ano no dia 12 de outubro. Por fim, decidiu-se que o  1º ano regressaria às unidades escolares no dia 20 de outubro. O governo informou que os estudantes não seriam obrigados a retornarem, não havendo nenhum tipo de punição acadêmica para estes e ficando a critério dos familiares tomar a decisão se seus filhos deveriam ir presencialmente para a escola. 

Em oposição ao posicionamento do governador, os atores das comunidades escolares iniciaram um movimento de resistência a estas medidas. Desde o início da discussão acerca da volta às aulas presenciais, o Sindicato dos Professores se posicionou contra, argumentando sobre os riscos para os profissionais. Também o Sindicato dos Profissionais de Educação e movimentos estudantis se posicionaram contra o processo de volta alegando a impossibilidade de manter um ambiente controlado com segurança biológica, tampouco garantia de que a rede metropolitana de transporte consiga comportar o influxo de estudantes secundaristas com garantias de proteção contra o vírus sem a definição de uma vacina.  

Com a falta de acordo entre governo e profissionais, foi decretada pela representação de classe uma paralisação das atividades educacionais desde o dia 30 de setembro. No dia 3 de outubro o Sindicato dos Professores empreendeu a primeira de duas assembleias virtuais para deflagrar estado de greve a partir do dia 6 de outubro caso o governo obrigasse o retorno dos profissionais às atividades presenciais. Nesta assembleia, que contou com a participação de 1.510 profissionais, foi aprovada a suspensão dos trabalhos contando com 1.102 votos favoráveis. 

Foi marcada a segunda reunião deliberativa para o dia 5 de outubro, na intenção de votar em segundo turno a proposta de paralisar as atividades caso o governo não recuasse em sua decisão. No meio tempo, entre votação para deflagrar greve e fechamento de acordo,  o governo acionou a justiça e conseguiu declarar ilegal que os profissionais da educação parassem suas atividades. Mesmo assim, a representação da classe manteve a segunda consulta, na qual os profissionais decidiram por manter as atividades remotas, mas não voltar presencialmente. 

No dia 6 de outubro a justiça do trabalho decidiu por suspender o retorno das aulas presenciais nas escolas públicas como resultado de uma ação movida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco. 

Enquanto aguardávamos a decisão sobre o retorno das atividades presenciais nas escolas públicas estaduais de Pernambuco, fomos monitorando a entrega dos desafios lançados para os alunos. O número de respostas continua baixo. E já percebemos a falta de envolvimento dos professores nas atividades do jogo, inclusive com dificuldades de acesso ao Google Sala de Aula para visualização e pontuação dos trabalhos recebidos. Assim, para decidir sobre os próximos passos do projeto, a equipe multiHlab reuniu-se com os docentes e equipe gestora da escola, no próprio dia 6 de outubro, para ouvir o retorno dos professores sobre as atividades propostas e o andamento do projeto. Como estamos finalizando a Fase 1 do jogo, é possível pensar novas estratégias para a Fase 2. 

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