Precisamos manter os vínculos entre nós

Você já parou para observar a mudança das coisas? Na cidade, por exemplo, novos prédios foram construídos, uma nova praça com quadra esportiva. A arquitetura e a estrutura da cidade estão sempre mudando. Eu, particularmente, mudei para Pernambuco em 2018, e não foi só a minha localização geográfica que mudou. Eu mudei. E com o advento da pandemia, isolamento social e trabalho remoto, muitas outras coisas mudaram. Meu cabelo cresceu, adotei um cachorro, aprendi a planejar todo o meu dia. Refiz minhas rotinas algumas vezes, adaptando às novas formas de vida. As mudanças demandam aprender, e a aprender de novo, e de novo, de várias formas, e da forma que dá. 

A mudança frequente e progressiva, estrutural, geográfica, física e estética ocorre em quase tudo. Sim, eu disse quase. Você já observou que a escola pública próxima a sua casa, aquela que você estudou por anos e há anos, permanece da mesma forma? A estrutura física, estética e orgânica permanece intacta. O quadro, as carteiras enfileiradas, a mesa do professor ou da professora, a sala da diretoria. Os que estavam habituados a esta forma de trabalho e rotina de estudos tiveram que, abruptamente, adaptarem-se a nova forma mundial, agora tudo a distância.

Embora o acesso às Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) esteja em crescimento, a apropriação dos seus recursos e ferramentas não tem acontecido igualmente. A nova rotina de professores e alunos baseada no trabalho e em estudo remotos tem nos revelado limitações no acesso e nos usos práticos das tecnologias digitais. Os professores tiveram que se reinventar a partir da exigência do ensino remoto, pois seus planos de ensino presumiam aulas presenciais, dentro de um outro calendário pedagógico. Os processos de ensino-aprendizagem são mediados por telas. E tudo acontecendo  assim mesmo, às pressas, enquanto também foi preciso aprender a viver em suas novas rotinas pessoais.

Selecionar conteúdos pedagógicos disponíveis na internet, produzir conteúdo novo para uma rotina de estudo remoto pelos alunos, preparar aulas para Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Tudo isso não é tarefa fácil. Não havia capacidade instalada. Era preciso investimento e tempo para permitir que os professores explorassem os recursos da TDIC e suas possibilidades pedagógicas. A escola precisava de recursos tecnológicos disponíveis para os professores construírem hábitos diários no manuseio dessas ferramentas. 

Ao mesmo tempo que nossas conversas com os alunos levantaram vários questionamentos (veja o primeiro Post deste Diário – “Estou dando aula para uma tela que não me responde”), perguntas também afligem a gestão da escola e os professores: Será que os alunos estão conseguindo estudar em casa? Eles estão assistindo as videoaulas? Eles estão com dúvidas sobre a matéria? Por que eles não estão participando dos encontros simultâneos pelo Google Meet? Será que estão com dificuldade de conexão? Será que eu não estou sabendo como envolver meus alunos nas aulas remotas? Como eu posso tornar as aulas mais atrativas, para que os alunos se interessem em estar nos encontros e a participar das atividades? Tantas dúvidas em tão pouco tempo!

Para pensar possíveis respostas para tantas perguntas, uma coisa é certa: não podemos considerar que os parâmetros são os mesmos. Não será a chamada de presença, a nota da prova, o medo de repetir de ano que motivará a participação dos alunos. Não será possível cumprir todo o plano de ensino construído para o horário integral de aulas presenciais. O objetivo da escola, neste momento, deve ser manter os vínculos entre nós, gestão, professores, alunos, pais e responsáveis. Todos juntos, mantendo viva nossa comunidade escolar. 

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>