Pinktips Cinema: documentário Rita

Rita é um documentário produzido e dirigido por Maria Luyza Souza que o apresentou como seu trabalho de conclusão do curso de Comunicação Social: Rádio, TV e Internet da Universidade Federal de Pernambuco. Na foto, Maria Luyza se encontra à esquerda, Rita está no meio e Débora, que realizou a captação com a diretora, se encontra à direita. 

História de Rita

Desde pequena os livros já chamavam atenção de Rita. O primeiro lido foi aos cinco anos. Embora sem saber juntar as sílabas direito, ela folheava os livros dos sobrinhos, que eram mais velhos. Quando entrou na escola, ganhou um paradidático chamado “Invasão de Pensamentos”, que conta a história de uma menina que queria ler o pensamento das pessoas e por isso se metia em várias confusões. 

Esse foi o livro que marcou a infância de Rita e foi o pontapé para ela começar a ler outros. Nessa fase, as amigas da mãe de Rita, já percebendo seu gosto pela leitura, começaram a doar várias coleções de livros para ela, que lia um atrás do outro. Foi aí que começou seu apego pelos livros. 

Na quinta série, estudou na Escola Maciel Pinheiro, e descobriu um mundo por trás das bibliotecas. Rita se encantou com o espaço repleto de livros que a escola abrigava, e chegava a ficar na porta esperando o local abrir. Folheava as enciclopédias e ficava lendo, fascinada por cada página em meio ao emaranhado de folhas. 

Aos nove anos já tinha lido praticamente de tudo, Machado de Assis, José de Alencar, Eça de Queiroz. No ensino médio, etapa a qual sofreu muito bullying, era maltratada pelos colegas de classe, levava bolada no rosto, era chamada de bruxa, esquisita, pelo fato de não falar com as pessoas, e ficar sempre retraída lendo.

 Nas aulas de literatura, a professora percebia que ela já estava bem adiantada nos conteúdos e sempre a liberava. Foi aí que ela começou a frequentar assiduamente a biblioteca pública de Afogados, aproveitava o tempo livre da aula e chegava a passar praticamente o dia inteiro no espaço. 

Quando se mudou para morar com a mãe, no bairro de Afogados, Rita já tinha praticamente uma biblioteca de livros montada em casa. Quando tinha 15 anos, sua mãe faleceu e ela precisou ir morar com a irmã. Só levou consigo para a nova casa os HQs e mangás, mas pretendia voltar para buscar seu acervo de livros. No entanto seu padrasto doou todos, sem avisar. Rita só conseguiu refazer seu acervo de livros quando entrou na universidade, depois que recebeu muitas doações e comprou muitos com o dinheiro dos estágios.

Depoimento da diretora: 

“O documentário Rita, mostra a realidade do cotidiano de uma mulher, de 30 anos, que tem uma paixão por ler e comprar livros. A personagem chamou minha atenção, ainda quando não a conhecia. Em todos os lugares que a encontrava ela estava lendo. Até em situações inusitadas, e isso me despertou curiosidade. 

Certa vez estava em um ônibus lotado, e ela por coincidência subiu nele. Quando tentava entrar no coletivo, que visivelmente não cabia mais ninguém, Rita insistiu em entrar e ficou praticamente presa entre e quantidade de gente e a porta do coletivo.

Com o rosto grudado no vidro do ônibus, arrancou risadas e dedos apontados, das outras pessoas que estavam na fila esperando o próximo ônibus. Não ligou. Abriu um livro, encaixou ele entre seu rosto, que estava grudado no vidro, e a porta, e leu a viagem toda, mesmo na situação de aperto. O fato de sempre estar lendo, até mesmo em momentos inusitados, me despertou interesse em conhecê-la melhor. Por uma grande coincidência do destino, na época comecei a estagiar no mesmo local em que Rita também estagiava. Foi uma oportunidade de me aproximar dela, que inicialmente se mostrava um tanto introspectiva e não acreditava o quanto sua história de vida era surpreendente. Após se sentir um pouco mais segura em contar sobre sua vida, Rita topou em ter sua história de vida documentada. Foi aí que surgiu a ideia do documentário Rita. Acredito que a história e a personagem em si, possuem uma curiosa profundidade dramática que merecia ser registrada e contada às pessoas. 

Rita também tem uma habilidade para escrever. Escreve textos incríveis e possui um blog denominado “Diário de uma ninguém”. Ela também tem um livro que escreveu, sobre sua própria história, e pretende publicá-lo”.

Rita foi exibido em:

  • 20º Festival de Curtas de Pernambuco – FestCine- Recife/PE

 

  • 3a Mostra Lugar de Mulher é no Cinema – Salvador/BA

 

  • Mostra Competitiva NORDESTE do XI CineCreed – Itamaracá/PE 

 

  • Exibição na TVPE, no programa TVPEnoar, nos dias 25 e 26 de outubro de 2019 – Recife/PE

Sobre a diretora:

 Filha de pedreiro e de uma professora, Maria Luyza Souza Santos nasceu em 09 de agosto de 1994, no município de Gameleira, localizado na Mata Sul do estado de Pernambuco. Apesar de uma vida escolar focada nos cálculos, o interesse pela arte veio ainda na adolescência, quando descobriu, na fotografia e edição de vídeo, a possibilidade de criar narrativas, expressar sentimentos e externar sua liberdade. A paixão pela arte se estendeu para a vida acadêmica, quando decidiu cursar Comunicação Social na universidade. Lá ela conheceu o mundo de possibilidades, que a arte e a comunicação poderiam lhe permitir viver. Mesmo após escutar tantos “esse curso não tem mercado”, decidiu dar voz à suas próprias convicções e vontades, e insistir no seu sonho. Hoje é formada em Rádio, TV e Internet pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); já atuou de jornal impresso a televisão e atualmente ingressou no vasto universo do gerenciamento de mídias online. Criar histórias com profundidades dramáticas, a partir de suas inquietações, e dar vida a essas narrativas por meio do audiovisual, ainda continua sendo uma das suas grandes paixões.

 

Para assistir, é só acessar o link: https://www.youtube.com/watch?v=wFwpew2FGEA 

 

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